Ninguém nasce publicitário. Ninguém é publicitário. Todos estamos publicitários.

A ideia de ser publicitário sugere algo monolítico. Estar, no entanto, denota movimento. O movimento talvez seja o centro desta atividade, assim como é seu maior desafio e o maior estímulo. Porque há um eterno movimento de contextos, de vidas, de hábitos, de verdades, de tecnologias, de esperanças, de formas de sensibilizar pessoas.

Estar publicitário nos impele a buscar algo mais para continuar a estar neste ofício. E, como já vimos, estar é movimento e movimento é vida. O tempo presente, eterno presente, apresenta todos os dias novas formas de comunicação. Um dia foi a impressão, outro dia foi o som, o cinema, o rádio, a TV, a foto em cores, o vídeo, o CD, o fax, a internet, o celular, o livro. A propaganda sempre conectou pessoas a seus desejos. E conexão não é apenas a tecnologia, mas é interação, é estar no lugar do outro, é sentir pelo outro. Não fazemos comunicação para nós, não somos nós que temos que gostar, é o outro.

Estar publicitário é, portanto, estar conectado à vida, ao mundo, à história, às imagens, aos sons, aos afetos. É compreender que comerciais, sites, patrocínios, eventos, malas diretas, brand channels, mídias sociais e cartazes no PDV são encontros singelos de pessoas com o que quer que faça sentido para suas vidas. Sobre o que nos cabe expor na comunicação.

Estar publicitário é saber dos limites da própria comunicação. Às vezes, não é como a gente quer, às vezes não dá para fazer. É saber que boas ideias podem não ser procedentes, que a liberdade é limítrofe do outro – e que este limite não castra, pelo contrário, liberta.

Estar publicitário é saber muito de tudo, para perceber que não se sabe muito e que precisamos exercitar diariamente a humildade. Para não sentarmos no conhecimento imutável e perdermos o bonde da história e da nossa carreira.

Estar publicitário é criar a esperança manifesta na vida que se encontra com o outro. Criar, filmar, legislar, planejar, propor, comprar, analisar... tudo isso é parte do que se constitui em vidas. Vidas que nos movem a entender mais e mais aquilo que não é possível rotular: pessoas.

Estar publicitário é assim, apaixonante, instigante, tem que estar de cabeça aberta, de alertas ligados e sensibilidade a mil. Para tecnologias, para práticas e, sobretudo, para pessoas. Para quem fazemos publicidade. Todos os dias.